Elixir da Vida

" Celebro-me e canto-me,
Aquilo que assumo tu deves assumir
Pois cada átomo que a mim pertence a ti pertence também"

Walt Whitman, canto I, Canto De Mim Mesmo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Os dias como eu os tenho

O dia termina
Luzes se fecham
Outra se ligam
Pensamentos me deixam
Palavras que ficam

Dia se vai, noite se vem
Segue-se assim a vida
Sabe-se o nada e o tudo que tudo tem
Desenham-se memórias na tela esquecida

Palavras, as que ficaram, intemporais
Anoitecem os tempos, despertam ao dia, sempre até a uma última vez
Sonhos e fantasia, os há quem sabe demais
Pergunta-se o que são, de onde vêm, nunca quem os fez.

Estes dias que aqui se chegam
Na parada de um esquecimento, névoa de ponta a ponta
Réstias, recordações, na taberna a nós elas que bebam
Que aqui na terra asas de meus pés despontam

Voo não o há como o primeiro
Somam-se outros, não menos bons
A brisa vai enchendo de tempo o cinzeiro
Quando partimos de etapa para etapa atrás de outros sons

Ah dias! Exalam-se pensamentos de trás invocados
Centelhas deste corpo, pão que envelhece à tu mercê
Sangue meu,meu sangue, momentos glorificados
Pra teres os dias como eu os tenho, abre os olhos e vê

domingo, 14 de dezembro de 2008

Água do Mundo






O rejubilo da simplicidade do Eu
Faz-me sorrir, espontâneo, absorto,
Mergulhado na mesma água que a todos banha
E todos se contemplam, seus corpos
Escorregando os jorros, as goticulas de água
Da água minha, de todos
E eu sou um Eu igual ao que se contempla na casa ao lado.


E dessa água que bebem me sirvo também
Saciar essa sede de vida
Na fonte que extrai da terra o liquido
Fulgindo aos primeiros banhos de sol, entranhando-se de novo no ventre da terra
Pra ser depois esventrada pelo um vento que crias nascentes, correntes, rios
Ó belos rios, estrada dos que mergulham
Na ânsia de se libertarem da árida mordaça que mói as gargantas do Mundo.
De todo esse Mundo que é chão e tecto do meu Eu, e de todos os que têm sede.







sábado, 25 de outubro de 2008

Metamorfose

Nos sonhos calçados
Meus pés descalços
Na areia se enterram
Os olhos focados
Na orla do mar
Onde os impossíveis imperam

A espuma marítima
Beija meus pés
No beijo sou vítima
Torturado de lés-a-lés

As correntes de ar que me enterram
Esperando, eu, a metamorfose
Quando as luzes se encerram
Me espanta, a mim, um yakamoz*.



* Palvra turca para " O reflexo da lua no mar", vencedora do concurso de 2007 para a palavra mais bonita do mundo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

E se...?

E se amanhã fosse um fim?
Faria de hoje um começo!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Passado Presente ou Presente Passado


Carpe Diem renasce depois de estar tão distante destas paragens.

Renasce com um texto em que não sei bem o que escreverei,mas como me disseram há bem pouco tempo "deixa a pena divagar por ela", tal dito tal feito.

O tempo vai passando, a vontade de escrever não é muita, a inspiração parece fugir, não possuo a calma para a procurar, essa calma tem me escapado, cada vez mais.

Talvez fosse melhor ver simplesmente, e não ver com a alma, pois toda a emoção que daí advêm estimula a chama da inquientação.

O tempo...o tempo será apenas uma substância que ingerimos quando caímos na realidade, ou seremos nós a substância que o tempo consome para alimentar o seu tic-tac pautado pelo austero maestro do passado? ou do presente?

Pois, há alturas em que olhando para dentro de nós o passado e o presente são mistura homógenea,vivemos num passado presente e num presente com sabor a passado.


Releio agora o que escrevi...

Fui eu que escrevi?estranho... sinto agora, no presente, que este texto pertence ao passado, o passado que vivo, o passado que não foi levado na corrente mas estagnou, indo comigo todos os dias, todos os dias presentes, futuros também?

Não sei...

Talvez o maestro saiba.

domingo, 7 de setembro de 2008

Renascer


Por vezes, e arrisco até, na maior parte das vezes, a mudança, o renascer, o brotar de algo, acontece na mais ( perdoem-me a redundância) negra negrura.


A vontade e a força aliada á sede de mudança fazem qualquer sentimento emergir de terrenos estéreis e fertilizar a nossa vida.

Let the music be

Phones nos ouvidos, a música a fluir em nós, a envolver-nos na sua aura de abstracção...
Apetece correr, correr sem destino, deixar a envolvência do momento exercer o seu poderoso artrito sob a racionalidade, e deixar, deixar de pensar, momentaneamente...


Tenham um bom dia.