O dia termina
Luzes se fecham
Outra se ligam
Pensamentos me deixam
Palavras que ficam
Dia se vai, noite se vem
Segue-se assim a vida
Sabe-se o nada e o tudo que tudo tem
Desenham-se memórias na tela esquecida
Palavras, as que ficaram, intemporais
Anoitecem os tempos, despertam ao dia, sempre até a uma última vez
Sonhos e fantasia, os há quem sabe demais
Pergunta-se o que são, de onde vêm, nunca quem os fez.
Estes dias que aqui se chegam
Na parada de um esquecimento, névoa de ponta a ponta
Réstias, recordações, na taberna a nós elas que bebam
Que aqui na terra asas de meus pés despontam
Voo não o há como o primeiro
Somam-se outros, não menos bons
A brisa vai enchendo de tempo o cinzeiro
Quando partimos de etapa para etapa atrás de outros sons
Ah dias! Exalam-se pensamentos de trás invocados
Centelhas deste corpo, pão que envelhece à tu mercê
Sangue meu,meu sangue, momentos glorificados
Pra teres os dias como eu os tenho, abre os olhos e vê
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Domingo, 14 de Dezembro de 2008
Água do Mundo

O rejubilo da simplicidade do Eu
Faz-me sorrir, espontâneo, absorto,
Mergulhado na mesma água que a todos banha
E todos se contemplam, seus corpos
Escorregando os jorros, as goticulas de água
Da água minha, de todos
E eu sou um Eu igual ao que se contempla na casa ao lado.
Faz-me sorrir, espontâneo, absorto,
Mergulhado na mesma água que a todos banha
E todos se contemplam, seus corpos
Escorregando os jorros, as goticulas de água
Da água minha, de todos
E eu sou um Eu igual ao que se contempla na casa ao lado.
E dessa água que bebem me sirvo também
Saciar essa sede de vida
Na fonte que extrai da terra o liquido
Fulgindo aos primeiros banhos de sol, entranhando-se de novo no ventre da terra
Pra ser depois esventrada pelo um vento que crias nascentes, correntes, rios
Ó belos rios, estrada dos que mergulham
Na ânsia de se libertarem da árida mordaça que mói as gargantas do Mundo.
De todo esse Mundo que é chão e tecto do meu Eu, e de todos os que têm sede.
Saciar essa sede de vida
Na fonte que extrai da terra o liquido
Fulgindo aos primeiros banhos de sol, entranhando-se de novo no ventre da terra
Pra ser depois esventrada pelo um vento que crias nascentes, correntes, rios
Ó belos rios, estrada dos que mergulham
Na ânsia de se libertarem da árida mordaça que mói as gargantas do Mundo.
De todo esse Mundo que é chão e tecto do meu Eu, e de todos os que têm sede.
foto de Maria Conceição Silveira
Sábado, 25 de Outubro de 2008
Metamorfose
Nos sonhos calçados
Meus pés descalços
Na areia se enterram
Os olhos focados
Na orla do mar
Onde os impossíveis imperam
A espuma marítima
Beija meus pés
No beijo sou vítima
Torturado de lés-a-lés
As correntes de ar que me enterram
Esperando, eu, a metamorfose
Quando as luzes se encerram
Me espanta, a mim, um yakamoz*.
* Palvra turca para " O reflexo da lua no mar", vencedora do concurso de 2007 para a palavra mais bonita do mundo.
Meus pés descalços
Na areia se enterram
Os olhos focados
Na orla do mar
Onde os impossíveis imperam
A espuma marítima
Beija meus pés
No beijo sou vítima
Torturado de lés-a-lés
As correntes de ar que me enterram
Esperando, eu, a metamorfose
Quando as luzes se encerram
Me espanta, a mim, um yakamoz*.
* Palvra turca para " O reflexo da lua no mar", vencedora do concurso de 2007 para a palavra mais bonita do mundo.
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Passado Presente ou Presente Passado

Carpe Diem renasce depois de estar tão distante destas paragens.
Renasce com um texto em que não sei bem o que escreverei,mas como me disseram há bem pouco tempo "deixa a pena divagar por ela", tal dito tal feito.
O tempo vai passando, a vontade de escrever não é muita, a inspiração parece fugir, não possuo a calma para a procurar, essa calma tem me escapado, cada vez mais.
Talvez fosse melhor ver simplesmente, e não ver com a alma, pois toda a emoção que daí advêm estimula a chama da inquientação.
O tempo...o tempo será apenas uma substância que ingerimos quando caímos na realidade, ou seremos nós a substância que o tempo consome para alimentar o seu tic-tac pautado pelo austero maestro do passado? ou do presente?
Pois, há alturas em que olhando para dentro de nós o passado e o presente são mistura homógenea,vivemos num passado presente e num presente com sabor a passado.
Releio agora o que escrevi...
Fui eu que escrevi?estranho... sinto agora, no presente, que este texto pertence ao passado, o passado que vivo, o passado que não foi levado na corrente mas estagnou, indo comigo todos os dias, todos os dias presentes, futuros também?
Não sei...
Talvez o maestro saiba.
Domingo, 7 de Setembro de 2008
Renascer
Let the music be
Phones nos ouvidos, a música a fluir em nós, a envolver-nos na sua aura de abstracção...
Apetece correr, correr sem destino, deixar a envolvência do momento exercer o seu poderoso artrito sob a racionalidade, e deixar, deixar de pensar, momentaneamente...
Tenham um bom dia.
Apetece correr, correr sem destino, deixar a envolvência do momento exercer o seu poderoso artrito sob a racionalidade, e deixar, deixar de pensar, momentaneamente...
Tenham um bom dia.
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